Taj Mahal

Tetetetereteretere Tereteretere Teretereterete

Monday, 22 March 2010
Porque os compositores são pedófilos?

O Kiss lançou Christine Sixteen, em 1977, quando o integrante mais novo da banda tinha 25 anos. A música fica falando sobre essa menina de 16 anos que o Gene Simmons quer muito comer.

Iggy Pop, aos 30, lançou Sixteen, que é a mesma coisa.

Também com o integrante mais novo aos 25, os Stones lançaram Stray Cat Blues, que diz assim: “eu posso ver que você tem quinze anos de idade/ não, eu não quero ver sua carteira de identidade... aposto que sua mãe não sabe que você grita assim... você diz que tem uma amiga mais selvagem que você/ porque você não chama ela aqui em cima (upstairs)?/ aposto que sua mãe não sabe que você morde assim... Isso não é motivo para enforcamento/ Isso não é um crime capital.”

Os Beatles lançaram I Saw Her Standing There em 1963, quando o integrante mais novo da banda tinha 20 anos (até que nem é tanto). Ela começa assim: “well she was just seventeen, and you know what i mean...” sei, sei…

Em carreira solo, Ringo regravou You’re Sixteen, composta em 1960 por um cara que tinha 35 anos na época. Ringo tinha 33 quando gravou, em 73, e o refrão é simples: “you’re sixteen, you’re beautifull, and you’re mine.”

O Billy Idol tinha 31 quando fez Sweet Sixteen, em 1986.

Aos 32 anos, Chuck Berry lançou Sweet little sixteen, que foi gravada por todos os pervertidos dos anos 60, como os Beatles, Beach Boys, The Animals, e o Jerry Lee Lewis, que aos 23 anos se casou com sua prima de 13.

Tem também a Dancing Queen, do ABBA, que é young and sweet, only seventeen... mas aí tudo bem, porque é dancing queen, e não sucking queen... mesmo porque, quem viu Embalos de Sábado a Noite ou Scarface sabe que as discotecas da era da Disco não eram lugares nos quais as pessoas cheiravam cocaína e faziam sexo.


PS.: interessante que no Brasil a prática não é tão difundida... eu pelo menos não lembrei de nenhuma... se alguém souber, contribua para esta lista tão louvável.

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Saturday, 26 September 2009
Western dos anos 00: O bom, o mau e o comum

Qual é o propósito disso tudo?

Onde os Fracos Não Tem Vez é um filme sobre o homem comum, acometido pela circunstância de ficar milionário da noite pro dia, tentando evitar as consequências, evitar os contras que acompanham os prós. A trama se passa no deserto do Texas, onde “não há para onde correr, nem onde se esconder, é preciso matar para continuar vivo” como na música do Iron Maiden, The Mercenary. Como alguns dos principais personagens do filme são mercenários, o que vale para o deserto passa a valer também para as cidades do Texas, onde, aparentemente, o homem comum não tem onde se esconder, e terá que arcar com as consequências de sua fortuna. O homem comum escolhe e pratica suas ações (vive) inserido no mundo onde há o bem (o xerife (Tommy Lee Jones)) e o mal (o mercenário). O bom, o mau, e o comum, no entanto, nunca chegam a se encontrar.

Porém, não se pode dizer que trata-se de uma estória maniqueísta, pois o bem do xerife está constantemente sendo questionado pela desilusão em relação ao mundo, aos tempos atuais. O xerife está cansado de pessoas se matando por drogas e dinheiro. Não se pode dizer que é uma estória maniqueísta pois, ainda que Anton Chigurh (Javier Bardem) nos seja apresentado como uma incógnita, não é uma incógnita completa. O dono do posto de gasolina pergunta de onde ele vem, o que o deixa irritado. É quase tudo o que sabemos sobre ele, mas é suficiente para formular suposições sociológicas plausíveis sobre a origem de um dos psicopatas mais temíveis e menos risonhos da história do cinema. Pode ser que tenham sofrido abusos quando criança, pode ser que sua mãe tenha sido assassinada na sua frente, podem ser várias coisas, o certo é que Anton Chigurh não simplesmente nasceu mau porque o filme é bom demais para ser maniqueísta. Ele também não convive assim tão bem com seus atos, por isso tenta passar sua responsabilidade de assassino para as próprias vítimas, ou ainda para o destino, quando faz com que elas escolham entre cara ou coroa para morrerem ou continuarem vivas. No filme, bem e mal não são naturais ou absolutos.

A motivação última de todos os atos de todos os personagens do filme (salvo o xerife) é o dinheiro. Certos sentimentos e instintos humanos tais como ganância, íra, medo e estupidez (porque ele voltou pra levar água para um traficante semi-morto? Porque ele ia de hotel em hotel ao invés de voar pra Nova York?) afloram e se manifestam durante o processo, mas racionalmente, é tudo por dinheiro. Esse parece ser o ponto mais indecifrável sobre a natureza de Anton Chigurh. Para quê ele quer milhões de dólares? Para gastar com o quê? É difícil imaginá-lo tomando sol em sua casa de praia em Cancún. Prostíbulos de luxo? Talvez, mas pela expressão em seu rosto, é difícil imaginar que ele se interesse por qualquer outra coisa na vida a não ser matar pessoas. Enfim, é uma incógnita.

Onde os Fracos Não Tem Vez envolve totalmente o espectador na trama, seguindo a tradição das melhores ficções hollywoodianas. Mesmo o espectador menos ingênuo, atento aos recursos narrativos, à iluminação ou à duração dos planos, se irritará, como se fosse um espectador de novela, com a incrível e insistente capacidade de Anton Chigurh de encontrar qualquer um em qualquer lugar; apoiará a auto-defesa de Carla Jean (Kelly Mac Donald), “você não precisa me matar”, dizendo “é, não precisa”; ficaria mais satisfeito se Llewelyn (Josh Brolin) conseguisse escapar, por partilhar do eterno sonho do homem comum de ficar milionário da noite pro dia; e ainda, lamentaria a morte do personagem de Woody Harrelson, talvez apenas por gostar muito dele e de seu sorriso de louco desde O Povo contra Larry Flint, Homens Brancos Não Sabem Enterrar e Assassinos por Natureza. Ah, se todos os psicopatas de filmes que estetizam a violência fossem como ele em Assassinos por Natureza...

A infidelidade das traduções de filmes no Brasil sempre foi e sempre será alvo das críticas mais raivosas, mas é preciso levar em conta que, assim como ficar rico da noite pro dia, as traduções infiéis também tem prós e contras. Enquanto todos se lembram apenas dos contras de Annie Hall ter virado Noivo Neurótico, Noiva Nervosa, existem os tradutores que transformaram Corda em Festim Diabólico, Silêncio das Ovelhas em Silêncio dos Inocentes, e os imbatíveis Gigante em Assim Caminha a Humanidade e Sunset Boulevard em Crepúsculo dos Deuses. Onde os Fracos Não Tem Vez não é tão mais poético, ou soa tão melhor do que Este País Não é Para Velhos (em Portugal foi lançado com esse nome), mas fala do filme como ele é: Não a estória de um xerife assustado com a barbárie moderna, mas todo um panorama da situação que se passava em determinado local e época e as reações dos vários indivíduos envolvidos. Não um filme sobre o particular, mas sobre o geral.

Os irmãos Coen são especialistas em filmes com finais angustiantes, desses que com o fim do último plano e o começo dos créditos, deixam os espectadores se perguntando: qual é o propósito disso tudo? Não é a toa que os Coen foram agraciados com o prêmio máximo da Academia, e foram o principal destaque da seção ‘cultura’ de uma edição retrospectiva dos últimos 15 anos da revista Carta Capital. Seu cinema capta como nenhum outro o espírito de sua época, tempos em que afloram os resultados de um capitalismo selvagem, tempos em que a ideologia individualista das últimas décadas cai por terra, porém ainda não se vislumbra uma outra que possa tomar seu lugar. Tempos em que a humanidade não pode se olhar no espelho e se perguntar ‘qual é o propósito disso tudo?’, sob o risco desesperador de simplesmente ficar sem resposta.

posted by: john.lennin at 18:40 | link | comments (1) |
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Thursday, 03 September 2009
O Poderoso Chefão

Tão moda (por falta de palavra menos pejorativa) quanto dizer que Cidadão Kane é o melhor filme do mundo, é dizer: "é muito bom, mas eu prefiro outros...". Se você vai assistindo o filme mais vezes, e vai sabendo da história dele, e principalmente da história do Orson Welles, pode continuar não concordando, mas vai entendendo o porque da fama. Mas invariavelmente, da primeira vez que se assiste o filme, os questionamentos são sempre os mesmos: Porque esse e não outro tão bom quanto? O que esse filme têm de tão bom?
De uns tempos pra cá, principalmente depois que a Bravo colocou ele logo abaixo de Cidadão Kane, passei a ver várias pessoas, em vários lugares, colocando O Poderoso Chefão como o melhor, ou um dos (2 ou 3) melhores filmes de todos os tempos, e tal... principalmente depois que filmes de máfia viraram um gênero, e existem tantos por aí, a mesma questão do Cidadão Kane cai sobre Poderoso Chefão. Na verdade, cairía sobre qualquer filme que fosse considerado o melhor. Não é o caso de duvidar que seja, é só procurar entender o que eles tem de tão bom.
Se você está esperando um post explicando todos esses porques, decepcione-se. Eu não sou tão pretencioso... talvez até seja, mas fica pra uma outra hora. Na verdade, isso é só empolgação por esse video que eu achei, e fiquei pensando nesses produtos culturais que sabe-se lá porque passam a ser venerados, CULTuados, por exemplo com videos no youtube explorando todos os aspectos possíveis da tal obra, e pessoas assistindo, e sugerindo que outras assistam.




Viram no primeiro vídeo, o Martin Sheen fazendo um teste pro papel do Freddo? Pra compensar a não participação em Poderoso Chefão, 7 anos depois, o Coppola deu Apocalypse Now só pra ele. Não sei se compensa, mas trocar o papel do irmão menos importante da família, pelo papel principal de um filme que mesmo tendo Dennis Hopper e Marlon Brando, ainda dizem que deram o filme só pra ele, não parece um mal negócio.

posted by: john.lennin at 19:01 | link | comments (1) |
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Tuesday, 01 September 2009
Plânctons e Imperadores

O que você faz quando está apaixonado? Compõe uma música, é claro. É por isso que 78,3% das músicas populares já gravadas são canções de amor. É difícil imaginar uma situação possível para uma relação entre dois amantes (no sentido ‘lovers’ da palavra) que não tenha sido retratada em música pelos Beatles, ou pelo Roberto Carlos, ou pelo David Coverdale, ou pelo Zezé di Camargo.

She loves you, and i love her. Se nós temos 12 anos de idade, i wanna hold your hand; se eu sou obcecado por você, i want you so bad; se a relação acabou, você ficou na mão, porque eu já tenho another girl, e por favor, don’t bother me! Mas se por acaso nós ainda nos amamos, please, please me, don’t let me down, don’t pass me by, e se não for pedir demais, drive my car.

E se o assunto não for amor, certamente é sexo, drogas e/ou rock n’ roll. Isso esgota toda a discografia do Kiss, do Prince, do Ultraje à Rigor e de 62,5% dos músicos do ocidente.

Alguns arriscam falar sobre a família, outros sobre política e religião, e um ou outro sobre anatomia, como o Paul Stanley, que fez uma música chamada Love Gun, que é sobre o tamanho do seu... a não, essa tá inclusa no parágrafo de cima também.

Porém, contudo, entretanto, existem meia dúzia de pessoas que nasceram com um dom, uma impressionante capacidade de fazer música sobre absolutamente qualquer coisa viva, morta ou inanimada; real, fantástica ou onírica; entre 334 d.C. e amanhã. Uma dessas pessoas nasceu no Rio de Janeiro, atende pelo nome de Jorge Ben Jor. As outras, por coincidência, nasceram todas na Inglaterra, se encontraram e formaram uma banda: o Iron Maiden.

O Pink Floyd fez um disco inteiro sobre animais. De fato, é notável. Mas falar sobre porcos, cachorros e ovelhas, é fácil. Queria ver eles fazerem uma música sobre um plâncton. David Gilmour e Roger Waters certamente são grandes compositores, mas jamais conseguiriam colocar a palavra “zigotinho” em uma música. “gameta” então, nem pensar.

Spirogyra Story

Você sabe o que é um Plâncton?
Plâncton é uma alga
De água doce ou de água salgada
Mas Espirogiro é doce, doce, doce, doce, doce
De água doce...

O encontro amoroso do zigotinho masculino

com o gameta feminino
Formam novas células um fio vegetal
Brilhoso e esverdeado

como a cor da esperança



Jorge Ben passou os anos 70 e 80 praticando, com músicas sobre o Homo Sapiens:

Ramapitecus
Astralopitecus
Homo Erectu
Homo de Pequim
Homo de Neanderthal
Homo de Cromayon
Homo Sapiens

Ele nasceu homem, ele é um animal
Vai seguir o caminho do bem
Ou vai seguir o caminho do mal
Por natureza ele é macho
Ele é macho por natureza
Gostará de fêmeas, gostará
De fêmeas com certeza

Sobre São Tomás de Aquino:

O Cânon 589 estabelece
Que o estudo da filosofia e da teologia
Deve ser feito de acordo com o ensinamento
De Santo Tommaso D'Aquino

O mundo é um suceder de níveis
Desde a matéria inanimada
Até a suprema beatitude
Do ser eterno que é Deus

E sobre movimentos transistoriais:

Movimento de mecanismo de controle transistorial
Para elemento 6-B.
Movimento de mecanismo de controle transistorial
Para elemento 6-B.

Saint Leibowitz escreveu
Saint Leibowitz escondeu
Se você achar esse tesouro
E souber usar será bem amado e abençoado
Se você achar esse tesouro e não souber usar.
Ta danado, ta danado.

Sobre futebol, só não fez uma para o juiz: Zagueiro, Camisa 10 da Gávea, Umbabaraúma (ponta de lança africano), Fio Maravilha, Cadê o Penalti?, Camisa 12, Flamengo e Goleiro:

Eu vou lhe avisar
Goleiro não pode falhar
Não pode ficar com fome
Na hora de jogar
Senão, um frango aqui, um frango ali,
Um frango acolá

Até que ele chegou à perfeição nos anos 90, quando conseguiu fazer uma música sobre o mais completo e absoluto NADA!



Já o Iron Maiden tem músicas sobre os caças ingleses da 2ª Guerra Mundial, sobre deja vu, medo de escuro, o massacre do índios durante a expansão para o oeste, a solidão do maratonista, o Egito antigo, Ícaro, o Fantasma da Ópera, o diabo, o capeta, belzebu, demônio, todos os possíveis aspectos da morte, e Alexandre, o Grande:

In an ancient land called Macedonia

Was born a son to Philip of Macedon

The legend his name was Alexander

At the age of nineteen, he became the Macedon king

And he swore to free all of Asia Minor

By the Aegian Sea in 334 BC

He utterly beat the armies of Persia

mais ou menos em 1m59


Pra essa, há uma explicação: Bruce Dickinson, além de vocalista do Iron Maiden e piloto da British Airways (é, se você estiver pensando em ir para a Inglaterra, cuidado, seu avião poderá ser pilotado por ele), é formado em história!

Dizem que quando eles vão compor, pegam uma enciclopédia e abrem numa página aleatória. O que aparecer é transformado em música.

Eles também seriam ótimos fazedores de jingles:

Olá senhor publicitário, eu queria que você fizesse uma música para a minha firma de advocacia... para minha empresa de dedetização...


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Saturday, 08 August 2009
Impressões sobre Cat Stevens

Cat Stevens e os outros: parecido mas único

 

Cat Stevens é herdeiro direto do Bob Dylan com Beatles, notadamente George Harrison.

Father & Son (70) e She’s Leaving Home (67) são duas materializações de uma mesma idéia, muito cara à essa geração: deixar a casa dos pais, cair na estrada como em Easy Rider, ou Quase Famosos. Em She’s Leaving Home, Paul é o narrador da história e John faz as falas dos pais. Father & Son é uma conversa entre a voz grave de Cat Stevens (o pai) e a voz aguda (o filho). No disco, cada estrofe vem antecedida por um “F” ou um “S”, de acordo com quem fala.

Em Lady D’Arbanville (70) Cat Stevens da continuidade ao projeto de George Harrison de explorar as possibilidades da união entre música pop ocidental e música asiática (como eu só escuto esses inglêses, pra mim, música indiana e árabe é tudo a mesma coisa). Alguém colocou no roteiro de Help!, que algumas cenas iam se passar em um restaurante, e sabe-se lá porque, o restaurante era indiano. A pessoa que teve essa idéia mudou a história da música pop. Chegando no restaurante George viu pela primeira vez alguém tocando cítara. Paixão à primeira vista. No disco seguinte já estava ela lá, na segunda música, ainda que ela fosse Norwegian Wood (65), e não Indian Wood. Enfim...

Voltando ao Cat Stevens, é interessante notar que essas músicas que represantam o ‘jeito Cat Stevens de fazer música’ são todas de 1970 a 75, mas ele começou em 66. Aconteceu com ele a mesma coisa que aconteceu com o Supertramp, um processo interessante no qual o artista tem um estilo inconfundível, único, mas apenas em potencial. Esse estilo vai aflorando em alguns discos. Coincidentemente, para os dois em questão, foi no terceiro disco. Nos 2 primeiros, o Supertramp era uma banda de Hard Rock esquisito, tipo um Led sem peso, ou um Creedence não caipira. Do Crime of the Century (73) pra frente, virou a banda de Rock Progressivo mais agradável e divertida do mundo. Só do Mona Bone Jakon (70) pra frente, Cat Stevens foi o cantor-compositor-folk-voz-violão-letras-profundas-e-melodias-maravilhosas que o mundo se acostumou a ouvir.

5 músicas do Cat Stevens para serem tombadas como patrimônio cultural da humanidade:

5 - The Wind (segundo Lorena Galery, uma grande especialista no assunto)

4 - Where Do The Children Play?

3 - Lady D'Arbanville

2 - Sad Lisa

1 - Wild World

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Thursday, 06 August 2009
lisa lisa, sad lisa lisa...

tillerman
O Lado A desse disco é o seguinte: Se o Cat Stevens tivesse feito só isso na vida, ele já mereceria ser ele mesmo.

posted by: john.lennin at 22:09 | link | comments |

Thursday, 30 July 2009
68 77 2008 11ª 109ª... cabala ou megasena

...for the times they are a changin’

Tem um escritor, amigo meu, que tem um blog. É o www.reset.us.splinder.com . O blog. O escritor chama Manna, Nuno Manna. No blog você acha várias leituras fragmentadas do mundo (adorei isso). Mas tem algumas coisas lá que realmente me impressionam. Tem um post que se chama: As melhores músicas de 2007. Ele lista 12 músicas.

Se alguém coloca uma arma na minha cabeça e fala: me diz 12 músicas de 2007... Eu tomo o tiro.

E veja bem, não são 12 músicas de 2007, são as 12 melhores, então ele conhece muito mais de 12. No blog você acha também as 8 melhores músicas de 2008, e para assombro total, os 8 melhores discos nacionais de 2008!!! Das 12 de 2007, eu conheço 4. A do White Stripes, porque qualquer coisa que eles lançam eu baixo pra ver se é bom como sempre, a da Amy Winehouse, porque ficou ---> MUITO FAMOSA <---, e a do Kings of Leon e a do Bruce Springsteen porque ele me mandou por msn enquanto ---> PESQUISAVA <--- pra fazer a lista. Das 8 de 2008 não conheço nenhuma; dos discos nacionais, não conheço nem as bandas...


Mas e daí? Ele frequenta a seção lançamentos (dos sites de música, porque nunca entrou numa loja de CDs na vida), enquanto eu compro discos de vinil. Qual o problema? Problema nenhum. Existem várias pessoas de fazem uma coisa, várias que fazem outra e várias que fazem as duas. Porque falar disso?

Não parece, mas esse texto não é sobre o gosto musical do Nuno, nem sobre o meu, muito menos pra falar que as músicas de antigamente eram melhores que as de hoje meus netinhos... O ponto é simplesmente o seguinte:

Porque eu sei de trás pra frente as 5 melhores músicas de 68, e nunca ouvi falar das de 2008? Obs.: o “eu” dessa frase vai perder a importância e virar um “todo mundo”, daqui a pouco. Continue lendo.

As 5 melhores músicas de 2008 são:

5 – R.E.M. – Supernatural Superserious

4 – The Charlatans – Oh! Vanity

3 – Sigur Rós – Festival

2 – Portishead – Machine Gun

1 – MGMT – Time to Pretend

As 5 melhores músicas de 1968 são:

5 – Chico Buarque – Roda Viva

4 – The Doors – Love Street

3 – Tropicalistas – Panis Et Circensis

2 – Rolling Stones – Sympathy For The Devil

1 – Beatles – Hey Jude

Não é que EU conheço essas e não conheço as outras. Tem milhares de pessoas mundo afora que decoraram todas as letras do MGMT e nunca ouviram uma música do The Doors, mas tem milhões e milhões que veneram o Jim Morrison e não fazem a mais remota idéia do que venha a ser MGMT. Vamos aos números:

Na lista da Billboard de singles mais vendidos, a melhor música de 2008 chegou no máximo a posição 109. A melhor de 68 não só chegou à 1ª, como ficou nove semanas lá. E não importa que comprar discos é coisa do passado. O fato é: quando Time to Pretend chegou ao 109º lugar, a 1ª da lista era uma música da Mariah Carey chamada Touch My Body, na qual ela fala pra um nerd touchar o body dela, mas que não quer que nenhum video dela vá parar no youtube...

Houve um tempo em que a lista “melhores músicas do ano” era muito parecida com a lista “músicas mais tocadas do ano”. Hoje, não é. Lembra quando você passou pelo 3º paragráfo desse texto e se perguntou porque “muito famosa” e “pesquisava” estavam iguais as manchetes do Supernotícias e do Aqui, só faltando estar em neón e piscando? Elas estavam assim porque dizem tudo. Houve um tempo em que as melhores músicas ficavam muito famosas, o que hoje é uma exceção, como aconteceu com Rehab. Agora, pra conhecer as melhores músicas, você tem que pesquisar, tem que ir atrás. É como se a BH FM de 68, A RÁDIO QUE TOCA SÚ-CÉ-ÇÚ, tocasse Hey Jude (o que, de fato, acontecia). Como se o White Stripes viesse ao Brasil hoje e ao invés de tocar no Free Jazz pra 5 mil pessoas, tocasse em Copacabana pra um milhão e meio.

E por que essa mudança? O que aconteceu entre 68 e 2008 pra que as rádios trocassem vinho por água, sorvete por feijão, maconha por orégano? Hã, orégano?

Primeiro inventaram o Hard Rock. Antes as músicas de rock falavam que she loves you, pediam pras garotas light my fire e love me tender, enfim, falavam que all you need is love. Um belo dia começaram a descrever uma highway to hell, um sabbath bloody sabbath, e até pedir sympathy for the devil.

68  77  2008  11ª  109ª... cabala ou megasena68  77  2008  11ª  109ª... cabala ou megasena









As rádios suspeitaram que seria melhor tocar My Cherie Amour e Let’s Stay Together.



Depois vieram seres horripilantes propondo anarchy for the UK, e querendo um monte de coisas estranhas: i wanna be sedated, i wanna sniff some glue, i wanna be your dog, i wanna be your boyfriend...

As rádios tiveram certeza que era melhor tocar Stayin’ Alive e Blame It On The Boogie

Até aí, tudo ótimo, mesmo porque, Jacksons 5 é muito melhor que Ramones. O problema é que a função que as músicas do Stevie Wonder tinham, hoje são desempenhadas pelas músicas do Usher feat. Mulher-gostosa-dançando-ao-som-do-playback.

Mas é a mídia que passou a encher o povo de lixo, ou o povo começou a fumar orégano por conta própria? A rádio toca merda porque o povo gosta, ou o povo escuta merda porque é o que a rádio toca? Ou não é nada disso e eu to viajando? Que as rádios não têm o menor interesse no enriquecimento cultural da população, não tenho a mínima dúvida, pois as rádios nada mais são do que empresas, logo, fazem parte da classe dominante, e para que continuem explorando a população, é fundamental que mantenham-na imersa na mais profunda ignorância, o que fazem muito bem com novela, futebol e canções de amor, sejam elas do Caetano Veloso ou do Mastruz com Leite. A partir daí, sendo essa a referência cultural majoritária, o povo começou a produzir funk por conta própria, e agora não adianta museu de graça, nem TV Cultura, nem show do Milton Nascimento na Praça da Estação, o que vai dar 50 pontos de audiência vai ser o que passar na Globo, seja o lixo que for?

Pode ser, sei lá. Sei que, se a 11ª melhor música de 2007 tivesse sido lançada em 77, teria sido a 11ª música mais tocada do ano. She look so cool in her new Camaro...

 

posted by: john.lennin at 22:21 | link | comments (6) |

Thursday, 25 June 2009
Sul Skin White Power

Lembram do Grêmio? Aquele da torcida que anda a pé? Então, ontem, no mineirão, esse jogador do Grêmio

maxilopez1

chamou esse do cruzeiro

Elicarlos3

de macaco.

Só saiu da delegacia do Mineirão às duas da madrugada, depois de prestar depoimento.

posted by: john.lennin at 11:28 | link | comments (2) |

Thursday, 18 June 2009
Requerimento de trancamento total

E se você passasse 3 anos e meio estudando jornalismo, e 2 dias antes da prova de habilitação o Supremo Tribunal Federal decidisse que para ser jornalista não era mais preciso ter diploma?

posted by: john.lennin at 14:25 | link | comments (2) |

Sunday, 14 June 2009
Resenha de domingo

titulo

Na tarde desse domingo, no Maracanã (aquele que tem 10 mil toneladas de ferro) Fluminense e Grêmio fizeram o clássicos dos arianos. Em 1914 um negro, chamado Carlos Alberto, transferiu-se do América RJ para o tricolor carioca, que só aceitava jogadores brancos. Ele entrou em campo com pó-de-arroz na cara, que não resistiu ao sol da Guanabara, e escorreu ao som dos gritos da torcida adversária: “Pó-de-arroz, pó-de-arroz”.

podearrozHoje, após a partida, os faxineiros do Maracanã tiveram muito trabalho para tirar o pó-de-arroz da arquibancada. Na falta da especiaria, alguns torcedores do Fluminense esfarelam Biscoito Globo para jogar pra cima como se fosse confete. Essa história lembra aquela loja no Barro Preto, chamada Escrava da Moda. Como você vai xingar uma pessoa se ela se orgulha de ser o que você diz que ela é? Acabaram adotando o pó-de-arroz como símbolo. Vão os significados, ficam os significantes, e a torcida do Fluminense faz essa maravilha que você está vendo aí do lado até hoje. Mas a tal loja no Barro Preto, fica em algum número da Rua Rio Grande do Sul, de onde vem o adversário dos pó-de-arroz, o Grêmio de Foot-ball Porto Alegrense.

Fundado por 32 distintos senhores, dentre eles alguns alemães e inglêses, em 1903, o tricolor gaúcho aceitou um jogador negro em seu plantel apenas em 1953.

Quando entrou em campo hoje, o time era apoiado por considerável número de torcedores que atravessaram os 1553 km que separam o Estádio Olímpico do Maraca, afinal de contas, diz o hino do clube, composto pelo negro Lupicínio Rodrigues:

Até a pé nós iremos

Para o que der e vier

Mas o certo é que nós estaremos

Com o Grêmio onde o Grêmio estiver

A Marseillesa dos clubes de futebol. Foi entoada hoje a tarde pelos gremistas presentes no estádio quando o time entrava em campo para a partida que valia pela sexta rodada do Campeonato Brasileiro. Logo no primeiro lance da partida o argentino Conca, ex-jogador do Vasco da Gama, que foi o primeiro grande clube brasileiro a aceitar negros no time, medida pela qual chegou a ser impedido de participar de competições pelos demais clubes do Rio. O Grêmio respondeu com um contra-ataque veloz, concluído por Alex Mineiro, ex-centro avante de Palmeiras e Cruzeiro, clubes fundados por italianos, que levaram alguns anos para se acostumar com a idéia de ver negros atuando nos representantes nativos da squadra azzura, descendentes diretos dos Césares. Fato é que todos os grandes clubes do país foram racistas até algum momento, mas como nenhum deles foi até 53, e nenhum deles teve um episódio tão bizarro quanto o do pó-de-arroz, Grêmio e Fluminense acabaram levando a fama.

É claro que é mais comum achar uma torcida organizada chamada Sul Skin White Power em Porto Alegre, mas enfim...

O primeiro “melhor jogador do Brasil” foi o negro Leônidas da Silva, depois foi Didi, o Príncipe Etíope, mas só em 58, sendo o melhor de todos os tempos, eles foram totalmente aceitos no futebol. Como na Fórmula 1, só aceitam se o cara for Campeão Mundial. Como no Golf, só aceitam se o cara for o melhor do mundo (tá, não vou exigir de você, fiel leitor, tanto conhecimento prévio: O melhor golfista do mundo chama-se Tiger Woods, e é negro (pros padrões estadunidenses, assim como Lewis Hamilton). Foram aceitos no campo; na geral, sempre foram; nas arquibancadas, depende do jogo; na tribuna, só quando a Revolução triunfar.

No fim do jogo, o time que inspirou Cartola a colorir a Estação Primeira deixou o campo sob vaias e pó-de-arroz, enquanto a torcida gaúcha voltava pra casa a pé.
mang_flu

posted by: john.lennin at 19:33 | link | comments (4) |

 

John Lennin

User: john.lennin
Name: Terencio de Oliveira

Arrancar a mão de:

Anonymous on Sul Skin White Power

16/09 17h00, aceito sugestões para o que vai tocar na

Rádio UFMG

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